# Facção com nome, vídeos de teste e ofensiva nacional: o dia seguinte da operação contra armas impressas em 3D no RS

> Desdobramento da Operação 3D no RS: armas impressas em 3D ligadas à facção Os Manos, vídeos de testes das armas e ofensiva nacional do Ministério da Justiça.

- Veículo: FilamentoNews (https://filamentonews.com.br/)
- URL canônica: https://filamentonews.com.br/artigos/operacao-3d-desdobramento-faccao-os-manos/
- Editoria: Notícias
- Autor: FilamentoNews
- Publicado: 20 ago 2026, 08h14 (America/Sao_Paulo) — 2026-08-20T11:14:14.000Z
- Foto de abertura: https://filamentonews.com.br/img/artigos/operacao-3d-desdobramento-faccao-os-manos.webp — Impressoras 3D de resina e filamento, arma e carregadores apreendidos expostos na sede do Denarc, com painel da Polícia Civil ao fundo (crédito: Divulgação / Polícia Civil RS)
- Termos: Os Manos, Operação Desarme
- Idioma: pt-BR

**Um dia depois da Operação 3D, a investigação ganhou nome, rosto e escala.** As armas impressas em 3D fabricadas na Região Metropolitana de Porto Alegre abasteciam a estrutura da facção **Os Manos** no Vale dos Sinos, segundo a Polícia Civil ouvida pelo portal abc+, do Grupo Sinos — e o caso gaúcho é apenas a ponta de uma ofensiva nacional do Ministério da Justiça contra a fabricação caseira de armamento.

O balanço consolidado da ação de quarta-feira (19): 16 presos, 20 mandados de prisão preventiva dentro de um pacote de 34 medidas cautelares, cumpridos em seis cidades da Região Metropolitana. Entre o material apreendido no ano da investigação estão impressoras de resina e de filamento de marcas comuns de mercado — o mesmo tipo de máquina vendida em qualquer loja do país, como mostra a foto de divulgação desta matéria.

## De uma prisão de rotina à cadeia de produção da facção

O fio da meada, revelou o delegado Wesley Lopes, da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico, foi puxado no ano passado: a Polícia Civil prendeu um suspeito que carregava uma arma impressa em 3D, drogas e componentes eletrônicos. A partir dessa prisão, os investigadores mapearam uma cadeia clandestina completa — aquisição de equipamentos e insumos, fabricação e montagem, ajustes e testes de funcionamento e, por fim, a venda dos armamentos.

Dois detalhes dão a dimensão do profissionalismo da estrutura. O primeiro: segundo o delegado, o grupo tinha integrantes com conhecimento técnico específico para fabricar e montar as armas usando as impressoras. O segundo: a polícia encontrou **vídeos de testes das armas** produzidas, conforme reportagem do G1 RS — o "controle de qualidade" da linha de produção criminosa.

O diretor do Denarc, delegado Alencar Carraro, classificou o resultado como *"tipo de armamento usado em guerrilhas clandestinas"* — armas de grosso calibre, de uso restrito às forças oficiais de segurança. A investigação continua: o foco agora é descobrir se existem outras células da organização produzindo armamento artesanal.

## Não é um caso isolado — é uma frente nacional

O contexto que faltava na quarta-feira apareceu no dia seguinte. Segundo o abc+, desde o começo de 2025 as polícias do Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Goiás vêm apreendendo armas saídas de impressoras 3D. A resposta federal foi a **Operação Desarme**, ofensiva nacional montada pelo Ministério da Justiça para desarticular essa produção — da qual a ação gaúcha faz parte.

No RS, o marco anterior foi 20 de março, quando quatro impressoras avaliadas em R$ 30 mil foram apreendidas junto com 59 carregadores de pistola. Em março, uma operação da Polícia Federal contra o mesmo tipo de crime já havia cumprido mandados em 12 estados.

## O detalhe que interessa a quem imprime

A foto oficial da apreensão diz muito: as máquinas na mesa do Denarc são impressoras de mesa comuns, de resina e de filamento, idênticas às usadas por makers, escolas e pequenos negócios Brasil afora. Não existe "impressora de arma" — existe crime organizado usando ferramenta de prateleira.

É por isso que a comunidade deve acompanhar o desenrolar da Operação Desarme com atenção. Uma ofensiva nacional do Ministério da Justiça tende a produzir propostas de regulação — de cadastro de equipamentos a rastreio de insumos — e o histórico mostra que legislação escrita no calor do noticiário policial raramente distingue o maker do miliciano. Registrar essa diferença, com fatos e sem pânico, é papel de quem cobre o setor.

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*Nota de apuração: as informações sobre a facção Os Manos, a origem da investigação, a cadeia de produção, as declarações dos delegados Wesley Lopes e Alencar Carraro, a apreensão de março e a Operação Desarme do Ministério da Justiça são da reportagem do portal abc+ (Grupo Sinos) de 19 de agosto. Os vídeos de testes das armas foram noticiados pelo G1 RS. O balanço de presos e mandados é do G1 e da CNN Brasil. Links nas fontes.*

## Fontes

- https://www.abcmais.com/policia/tipo-de-armamento-usado-em-guerrilhas-clandestinas-entenda-como-armas-3d-passaram-a-ser-vendidas-por-faccao-no-vale-dos-sinos/
- https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/08/19/homem-que-fabricava-armas-com-impressoras-3d-e-preso-no-rs.ghtml
- https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sul/rs/policia-prende-16-suspeitos-de-fabricarem-armas-em-impressoras-3d-no-rs/
