Cientistas transformaram garrafa PET em biscoito impresso em 3D — e a NASA está de olho na receita
Pesquisadores dos EUA transformaram plástico PET em biscoito impresso em 3D rico em proteína, com leveduras e impressão de pasta. A NASA acompanha — mas ninguém provou ainda.

Uma equipe da Southern Illinois University Carbondale, nos Estados Unidos, apresentou nesta semana um biscoito rico em proteína cujo ingrediente de partida é o plástico de garrafa PET — quebrado quimicamente, digerido por leveduras e, no fim da linha, impresso em 3D na forma de um biscoito batizado de µBite. Antes que o estômago reclame: ninguém comeu ainda — a degustação aguarda aprovação institucional. Mas a rota química é real, foi apresentada em congresso da American Chemical Society, e o interesse de quem financia dá a medida da ambição: o trabalho se conecta ao Deep Space Food Challenge, o programa da NASA que procura formas de alimentar astronautas em missões longas usando o mínimo de recursos.
Da garrafa ao biscoito, em três etapas
O processo, descrito pela equipe do professor Lahiru Jayakody, começa com um método chamado dissolução hidrotérmica oxidativa — desenvolvido pelo professor de geologia Ken Anderson —, que quebra o PET (misturado a talos de milho) em moléculas de carbono simples. Essas moléculas viram comida de leveduras, que as convertem em proteínas, vitaminas e compostos de sabor. A biomassa resultante é misturada a fibra, amido e adoçante até virar uma pasta imprimível — e aí entra a impressora 3D de alimentos, que dá forma ao biscoito.
A impressão, aqui, não é acessório de marketing: comida de missão espacial precisa ser produzida sob demanda, em porção exata, com o mínimo de desperdício — exatamente o que a extrusão de pasta faz. É o mesmo princípio das impressoras de chocolate e de carne vegetal que já existem no mercado, aplicado ao caso-limite: um alimento cuja matéria-prima seria, de outra forma, lixo.
As ressalvas que a manchete não conta
O rigor pede os três poréns. Primeiro: ninguém provou o µBite — a equipe espera autorização formal para os primeiros testes de degustação, e o que existe até aqui são testes de cheiro e dados de composição. Segundo: os relatos de quem cheirou são do tipo que só um astronauta acharia animador — há quem diga que comeria “se os recursos fossem limitados”. Terceiro: entre um biscoito de congresso e um alimento aprovado por agências sanitárias existe uma distância de anos.
Ainda assim, a pesquisa toca um nervo duplo que interessa a qualquer leitor de impressão 3D: o destino do plástico descartado — problema que a comunidade conhece bem na forma de purga e peça falhada — e a impressão de alimentos como aplicação séria, financiada por agência espacial, e não curiosidade de feira.
Nota de apuração: os fatos, nomes e o estado da pesquisa (sem testes de degustação até aqui) foram conferidos na reportagem da VoxelMatters de 25/08/2026, que cobre a apresentação da equipe da SIU Carbondale em congresso da American Chemical Society (sessão linkada nas fontes); a foto é material de divulgação da universidade (SIU Carbondale Communications). O programa Deep Space Food Challenge, da NASA, é citado como contexto do financiamento pela própria cobertura. Este texto não é recomendação alimentar — nada aqui foi aprovado para consumo.
Fontes
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