Júri do Texas manda a Bambu Lab pagar US$ 27,6 milhões à Stratasys por quatro patentes — a torre de purga e o sensor de força do nivelamento estão entre elas, e a empresa vai recorrer
Júri no Texas condenou a Bambu Lab a pagar US$ 27,6 milhões à Stratasys por infringir quatro patentes. O que muda, e o que não muda, para quem compra no Brasil.

Um júri federal do Texas decidiu na quinta-feira (17/9) que a Bambu Lab infringiu quatro patentes da Stratasys e mandou as empresas do grupo pagarem cerca de US$ 27,6 milhões em danos passados — cerca de R$ 142 milhões pela PTAX de venda de 18/9, a R$ 5,1575. O júri considerou as quatro patentes válidas, rejeitando a tese de defesa, e, segundo a Bloomberg Law, classificou a infração como deliberada. A Bambu Lab disse que discorda do veredicto e vai recorrer. Para quem compra impressora no Brasil, nada muda hoje: a decisão é de danos, não de proibição de venda, e patente americana só vale nos Estados Unidos.
O julgamento durou uma semana e correu na Corte Distrital do Leste do Texas, divisão de Marshall — o tribunal que concentra boa parte das disputas de patente dos Estados Unidos. Os réus são a própria Bambulab Ltd. e três empresas ligadas a ela: Shanghai Lunkuo Technology, Tuozhu Technology Limited e Shenzhen Tuozhu Technology. A Stratasys entrou com dois processos contra o grupo em agosto de 2024; este é o primeiro a chegar a júri.
As quatro patentes, e o que cada uma protege
| Patente | Título | O que cobre, em português |
|---|---|---|
| US 9.421.713 | Purge towers | depositar material numa torre separada a cada troca de cabeçote ou de cor — a “torre de purga” que todo mundo que imprime multicolorido conhece |
| US 7.555.357 | Extrusion-based layered deposition | gerar o caminho de extrusão para preencher vãos pequenos dentro da camada |
| US 9.168.698 | 3D printer with force detection | detecção de força no cabeçote ou no extrusor |
| US 10.556.381 | 3D printer with force detection | mesma família do anterior |
A leitura desconfortável para a Bambu é que duas dessas famílias tocam exatamente no que fez a marca crescer: a troca de cores com torre de purga, do AMS, e o nivelamento automático por sensor de força, que dispensa o parafuso e a folha de papel. Uma quinta patente, a US 9.592.660, foi derrubada antes do julgamento — o escritório de patentes americano a considerou inválida e a Stratasys não recorreu.
O que as duas empresas dizem
A Stratasys afirmou que “permanece focada em entregar tecnologias de ponta aos clientes e em proteger a propriedade intelectual que sustenta nossa inovação”. A Bambu Lab respondeu que agradece “o tempo e o esforço do júri”, mas que discorda: “A lei dá à Bambu o direito de buscar revisão pós-julgamento e de recorrer, e a Bambu pretende valer-se desses processos legais.”
E no Brasil?
Nada muda para quem vai comprar. Três razões concretas:
- Patente é territorial. As quatro patentes são americanas. Elas não impedem a fabricação na China nem a venda no Brasil. Para valer aqui, a Stratasys precisaria de patentes equivalentes depositadas no INPI e de um processo brasileiro — e não há notícia de nenhum.
- O veredicto é de dinheiro, não de proibição. O júri fixou danos por vendas passadas. Não houve ordem de parar de vender, nem nos Estados Unidos. Na Europa, o Tribunal Unificado de Patentes já havia rejeitado o pedido de liminar da Stratasys em abril deste ano.
- A Bambu segue operando normalmente. Na terça-feira (15/9), a empresa anunciou corte no preço dos filamentos na loja americana, e o lançamento da R1 com laser está marcado para 22 de setembro. Nada indica recuo.
O risco real é de médio prazo e indireto. Infração deliberada permite ao juiz triplicar os danos, e uma condenação mantida na apelação costuma terminar em acordo de licenciamento — com royalty embutido no custo da máquina. Se isso acontecer, o efeito chega ao Brasil do jeito de sempre: no preço de tabela da próxima geração, não numa loja fechada.
O que ainda pode acontecer
O segundo processo, com outra patente, ainda não tem data de julgamento. Antes da apelação, a Bambu pede revisão pós-julgamento ao próprio juiz, que pode reduzir, manter ou majorar o valor. Esse caminho leva anos. Enquanto isso, o mercado segue: as máquinas continuam à venda, as revendas brasileiras continuam importando e a garantia de quem já comprou não é afetada por nada disto.
Nota de apuração: o veredicto, o valor, a lista de patentes, os nomes das empresas rés e as declarações das duas companhias foram lidos por esta redação nas reportagens da 3D Printing Industry, da TCT Magazine e do 3DPrint.com publicadas em 18/9/2026, que acompanharam o julgamento; a classificação da infração como deliberada é atribuída pelo 3DPrint.com à Bloomberg Law, e não a confirmamos em fonte própria. As duas publicações divergem sobre o dia exato do veredicto (17 ou 18 de setembro); adotamos 17/9, informado por duas delas. A conversão para reais usa a PTAX de venda do Banco Central de 18/9/2026. A explicação do que cada patente cobre é leitura nossa dos títulos e resumos das patentes, não parecer jurídico — não somos advogados, e este texto não é orientação legal. Não localizamos comunicado oficial no site de nenhuma das duas empresas até o fechamento. A foto de abertura e de divulgacao da Bambu Lab (P1S), usada para identificar a empresa citada na decisao; o selo promocional da loja foi recortado. Não há link comissionado nesta matéria.
Fontes
- https://3dprintingindustry.com/news/new-update-in-stratasys-v-bambu-lab-patent-infringement-action-254833/
- https://www.tctmagazine.com/stratasys-awarded-27-6-in-damages-in-first-of-two-patent-infringement-cases-against-bambu-lab/
- https://3dprint.com/333013/stratasys-wins-27-6m-in-patent-case-against-bambu-lab/
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