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ASA ou ABS: qual filamento usar em peça que fica no sol — o ASA aguenta UV e um degrau a mais de calor, o ABS custa cerca de R$ 55 a menos por rolo, e os dois exigem impressora fechada

ASA ou ABS para peça no sol? O ASA resiste a UV e a mais calor; o ABS amarela ao ar livre e custa menos. Tabela, câmara fechada, cheiro e preço no Brasil.

Vaso impresso em 3D em forma de casinha branca, com telhado, janelas e varanda, preso entre dois troncos de árvore ao ar livre
Foto: Divulgação / Bambu Lab (modelo Mermaid Flower Pot, de MrsMfToothbrush)

ASA ou ABS para peça que fica no sol? ASA. Ele foi formulado para resistir à radiação ultravioleta, enquanto o ABS, segundo a própria Prusa, fica amarelado e mais quebradiço com o tempo quando vive ao ar livre. Os dois são parentes — a Prusa chama o ASA de “sucessor” do ABS —, imprimem em temperaturas parecidas e cobram o mesmo pedágio: impressora fechada, mesa muito quente e cômodo ventilado. A diferença que pesa no bolso brasileiro é o rolo, que no ASA saía cerca de R$ 55 mais caro nas lojas que consultamos no domingo, 18 de outubro.

ASA ou ABS: a tabela de diferenças

ASAABS
Sol e uso externo (Prusa)“alta resistência a UV”, indicado para uso externoamarela e fica mais quebradiço ao ar livre
Deflexão térmica a 1,8 MPa (Bambu)92 °C84 °C
Deflexão térmica a 0,45 MPa (Bambu)100 °C87 °C
Amolecimento Vicat (Bambu)106 °C94 °C
Bico (perfil Prusa)260 °C255 °C
Mesa (perfil Prusa)105 °C na 1ª camada, 110 °C nas demais100 °C (80 a 110 °C conforme o tamanho)
Câmara (Bambu)45 a 60 °C45 a 60 °C
Impressora fechadanecessária (Bambu); obrigatória para peça grande (Prusa)necessária (Bambu e Prusa)
Empenamento (Prusa)alto, mas menor que o do ABSalto
Cheiro ao imprimir (Prusa)menor que o do ABSforte
Absorção de água, saturado (Bambu)0,45%0,65%
Resistência à tração, no plano (Bambu)37 MPa33 MPa
Impacto entre camadas (Bambu)4,9 kJ/m²7,4 kJ/m²
Acetonaalisa e colaalisa e cola
Rolo nacional de 1 kg, no Pix (3D Fila, 18/10)R$ 129,90R$ 74,90

As linhas marcadas como Bambu vêm das fichas técnicas do ASA e do ABS da Bambu Lab, medidos pela fabricante com o mesmo método — por isso dá para comparar um com o outro. Os perfis de temperatura e as avaliações de empenamento e cheiro são da base de conhecimento da Prusa.

Por que o filamento ASA aguenta o sol

Os nomes mostram o parentesco: ASA é acrilonitrila-estireno-acrilato; ABS, acrilonitrila-butadieno-estireno. A Prusa descreve o ASA como um material técnico “adequado para uso externo, por causa da alta resistência à luz UV e à temperatura”, e diz que, comparado a ele, o ABS tem resistência a UV “um pouco pior” e que peças de ABS usadas ao ar livre “ficam amareladas e mais quebradiças com o tempo”. A Bambu Lab vai na mesma linha: anuncia o seu ASA como resistente a UV, oxidação e envelhecimento, contra quebra e desbotamento em uso externo prolongado, e cita como exemplos placa de jardim, caixa de correio e cata-vento.

Há uma ressalva honesta a fazer. Nenhuma das duas fabricantes publica um teste numérico de exposição ao UV — quantas horas de lâmpada, quanto de cor ou de resistência a peça perdeu. E a ficha técnica do ABS da própria Bambu lista “resistência a UV” entre as qualidades do material, o que contradiz a Prusa. A afirmação sobre o sol é, portanto, qualitativa nos dois casos. O consenso entre os fabricantes que consultamos é que, para peça que vai passar anos ao ar livre, o filamento ASA é a escolha; a brasileira 3D Fila, por exemplo, vende o seu como ASA WP, de “weatherproof”, com a promessa de manter as propriedades diante de sol intenso, chuva e calor.

Calor: o ASA fica um degrau acima

Pela ficha da Bambu, o ASA só começa a deformar sob carga a 92 °C, contra 84 °C do ABS, no ensaio mais exigente da norma ISO 75; no ensaio de carga leve, a diferença é de 100 °C contra 87 °C. A Prusa fala em resistência “até 93 °C” para o ASA. Nos dois, é bem acima do PETG, que a Prusa recomenda para uso abaixo de 80 °C — e é por isso que, para suporte de celular no painel, peça de moto ou capa de sensor no telhado, a briga real é entre esses dois, como explicamos no comparativo de PETG ou ABS.

No carro estacionado ao sol, a peça do painel enfrenta calor e luz direta ao mesmo tempo. Pelos números das próprias fabricantes, o ASA leva vantagem nas duas frentes.

Encolhimento e warping: os dois pedem câmara fechada

Aqui não há atalho. A Bambu marca tanto o ASA quanto o ABS como materiais que exigem impressora fechada — o que, pela recomendação da própria fabricante, deixa de fora as abertas A1 e A1 mini — e incompatíveis com o AMS lite. A Prusa diz que o ABS exige gabinete e que o ASA precisa dele para peças grandes. A causa é a mesma: a peça encolhe ao esfriar, e a diferença de temperatura entre ela e o ar em volta faz os cantos levantarem e as camadas racharem — o warping, que tem guia próprio aqui no site.

O ASA empena menos que o ABS, segundo a Prusa, mas “empenamento significativo” continua na lista de defeitos dele. A Prusa estima o encolhimento do ABS em 1% a 2%; a 3D Fila informa de 0,4% a 0,7% para o seu ASA WP. São fontes e métodos diferentes, então o número serve de ordem de grandeza, não de comparação exata.

Para quem não tem impressora fechada, a Prusa sugere uma saída parcial: ativar o draft shield (em Skirt & Brim, no PrusaSlicer), uma parede impressa em volta da peça que a mantém um pouco mais quente. E faz um alerta para o outro extremo: imprimir muito ASA ou ABS em gabinete sem ventilação pode deformar, com o tempo, as peças plásticas da própria impressora, como o duto da ventoinha.

Cheiro e emissões: menos estireno não é emissão zero

A Prusa diz que o ASA “não cheira tanto” quanto o ABS, mas lista os dois com o mesmo defeito: fumos potencialmente perigosos de estireno durante a impressão. A Bambu avisa, nas páginas dos dois materiais, que podem sair odores “pungentes e desagradáveis” e manda manter a impressora em local ventilado.

Os estudos que reunimos na reportagem sobre se a impressora 3D faz mal à saúde mostram por que o cheiro menor engana: o ASA emitiu menos de um quarto do estireno do ABS num trabalho de 2022, mas apareceu com emissão alta de nanopartículas — as partículas ultrafinas — em outro, de 2024. A regra prática é a mesma para os dois: impressora fechada, cômodo ventilado e ninguém dormindo perto da máquina imprimindo.

Umidade: vantagem pequena para o ASA

No clima úmido de boa parte do Brasil, a absorção de água conta. Na ficha da Bambu, o ASA saturado absorve 0,45% de água, contra 0,65% do ABS. A Prusa classifica o ASA como “parcialmente higroscópico”. A Bambu recomenda secar os dois do mesmo jeito antes de imprimir — 8 horas a 80 °C em estufa — e guardá-los abaixo de 20% de umidade relativa, em embalagem fechada com dessecante. As técnicas estão no nosso guia sobre filamento úmido.

Preço do ASA e do ABS no Brasil

Preços de rolo de 1 kg, 1,75 mm, lidos por esta redação nas páginas das lojas em 18 de outubro de 2026, entre 16h09 e 16h12:

LojaASA 1 kgABS 1 kg
3D Fila (marca própria)ASA WP: R$ 129,90 no Pix; R$ 140,29 no cartãoABS Premium (branco): R$ 74,90 no Pix; R$ 80,89 no cartão
ARTBOX3D (revenda oficial da Bambu Lab)Bambu ASA: R$ 225,00 no Pix; R$ 250,00 no cartãoBambu ABS: R$ 171,00 no Pix; R$ 190,00 no cartão
Voolt3Da busca da loja não retornou ASAABS High Speed Premium: R$ 99,90 no Pix; R$ 105,16 a prazo

Nas duas lojas que vendem os dois materiais, a conta dá praticamente o mesmo resultado: o ASA custa R$ 54 a R$ 55 a mais por rolo no Pix. Na 3D Fila, isso significa pagar cerca de 73% a mais; na ARTBOX3D, cerca de 32%. Duas das três cores do ASA da Bambu listadas pela ARTBOX3D apareciam esgotadas na consulta. Preço muda sem aviso.

Quando usar ASA e quando usar ABS

  • Peça que fica ao ar livre por anos — suporte de antena, caixa de correio, placa, peça de jardim, capa de sensor: ASA.
  • Peça de carro exposta ao sol, no painel ou no para-brisa: ASA, pelo UV e pelo calor ao mesmo tempo.
  • Peça interna que esquenta, perto de motor ou de fonte, e não pega sol: ABS resolve e custa menos.
  • Peça que vai ser lixada, colada e alisada com acetona, sem exposição ao sol: ABS, pelo preço. O ASA aceita o mesmo acabamento.
  • Impressora aberta: nenhum dos dois, pela recomendação das fabricantes. O PETG aguenta sol e chuva na maior parte do uso externo, abaixo de 80 °C, segundo a Prusa.

Perguntas frequentes

ASA precisa de impressora fechada?

Sim, na prática. A Bambu Lab exige impressora fechada para o ASA, e a Prusa diz que o gabinete é necessário para peças grandes. Peça pequena às vezes sai em máquina aberta, com mesa a 100 °C ou mais, sem corrente de ar e com draft shield, mas o risco de empenar e rachar é alto.

Dá para alisar ASA com acetona como o ABS?

Dá. Segundo a Prusa, o ASA se dissolve em acetona, o que permite colar peças e alisar a superfície com vapor, deixando um brilho de peça injetada — à custa de perder detalhes finos e cantos vivos. Também pode ser lixado a seco ou com água.

ASA ou PETG para área externa?

Depende do calor. O PETG é mais fácil de imprimir, dispensa impressora fechada e aguenta uso externo abaixo de 80 °C, segundo a Prusa. Para peça que pega sol direto e esquenta muito, como no carro ou num telhado, o ASA vai mais longe — se você tiver a impressora para ele.

Nota de apuração: as temperaturas de impressão, o limite de 93 °C do ASA, o encolhimento do ABS, as avaliações de UV, empenamento e cheiro e as recomendações de gabinete, draft shield e acetona são das páginas de ASA e ABS da base de conhecimento da Prusa Research, lidas por esta redação em 18/10/2026. Os dados de deflexão térmica, amolecimento Vicat, absorção de água, tração, impacto, temperatura de câmara e secagem são das fichas técnicas V3.0 do ASA e do ABS da Bambu Lab, baixadas da loja oficial da marca, e os avisos de impressora fechada, AMS lite e odor, das páginas de produto da mesma loja, na mesma data. O encolhimento e a descrição do ASA WP são da ficha técnica e da página do produto da 3D Fila. Os preços foram lidos nas páginas da 3D Fila, da ARTBOX3D e da Voolt3D em 18/10/2026, entre 16h09 e 16h12; os percentuais são conta desta redação. Os dados de emissão vêm dos estudos citados na nossa reportagem sobre saúde. Não imprimimos nem expusemos peças ao sol para esta matéria: a comparação é documental, não teste de bancada. A foto é de divulgação da Bambu Lab, publicada na página do filamento ASA, e mostra um modelo de MrsMfToothbrush. Não há link comissionado nesta matéria.

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