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Bambu Lab derruba no escritório de patentes dos EUA as reivindicações por trás de US$ 2,8 milhões da condenação — mas a patente da torre de purga, que vale US$ 14,2 milhões, continua de pé

Bambu Lab vence a Stratasys no escritório de patentes dos EUA: quatro patentes perdem reivindicações. O que cai da condenação de US$ 27,6 milhões e o que fica.

Impressora 3D Bambu Lab A1, aberta, de mesa móvel, com o cabeçote no alto do pórtico e a tela sensível ao toque na base
Foto: Divulgação / Bambu Lab

A Bambu Lab ganhou quatro decisões no escritório de patentes dos Estados Unidos menos de três semanas depois de ser condenada a pagar US$ 27,6 milhões à Stratasys: entre 28 de setembro e 5 de outubro, o tribunal administrativo do órgão, o PTAB, declarou não patenteáveis, por serem óbvias, reivindicações de quatro patentes da rival — inclusive as três que respondiam por US$ 2,8 milhões da condenação. A virada é parcial. As duas patentes que somam US$ 24,8 milhões do valor, a da torre de purga e a do caminho de extrusão, não foram atingidas, e nada disso apaga automaticamente um centavo da sentença do Texas.

A disputa Stratasys x Bambu Lab corre agora em duas frentes que parecem se contradizer. No tribunal, um júri federal de Marshall, no Texas, decidiu em 17 de setembro que a Bambu infringiu de propósito seis reivindicações de quatro patentes e que nenhuma delas era inválida. No escritório de patentes, juízes administrativos com formação técnica estão concluindo que parte dessas mesmas reivindicações nunca deveria ter sido concedida.

Por que o júri e o escritório de patentes discordam

Não é erro de nenhum dos dois: os processos medem coisas diferentes, com régua diferente. Num processo de infração, a patente chega presumida válida, e quem é acusado precisa derrubá-la com prova “clara e convincente”. No PTAB, a Bambu usou a revisão inter partes (IPR), em que a validade da patente é reexaminada à luz de patentes e publicações anteriores — e ali basta que a prova pese mais para um lado, a chamada “preponderância da evidência”. Foi com esse padrão mais baixo que a Bambu venceu.

Nas duas patentes de detecção de força, segundo a All3DP, a decisão se apoiou em pedidos de patente anteriores e num tópico antigo do fórum da comunidade RepRap — a prova de que a ideia já circulava entre os construtores de impressoras caseiras.

As quatro decisões

PatenteO que cobreProcessoDecisão do PTAB
US 9.168.698detecção de força no cabeçote (citada contra a A1 e a A1 mini)1º, já julgadoreivindicação 10, que foi a júri, não patenteável (29/9); a reivindicação 12 resistiu
US 10.556.381detecção de força (mesma família)1º, já julgadotodas as reivindicações não patenteáveis, inclusive as 1 e 11, que foram a júri (29/9)
US 11.886.774impressora que detecta a própria configuração — no processo, o “sincronizar lista de filamentos do AMS” do Bambu Studio2º, sem julgamentotodas as contestadas não patenteáveis (28/9)
US 10.569.466material com etiqueta — a leitura de RFID do carretel no AMS2º, sem julgamentotodas as contestadas não patenteáveis, inclusive a reivindicação 1 citada na ação (5/10)

As datas e o estado de cada patente são do levantamento da All3DP, atualizado até 6 de outubro; os números completos das patentes, da Fabbaloo.

O que continua de pé na condenação de US$ 27,6 milhões

PatenteParte da condenaçãoSituação
US 9.421.713 — torre de purgaUS$ 14,2 milhõeso PTAB manteve as reivindicações contestadas em 9/6; a Bambu recorreu em 10/7
US 7.555.357 — geração do caminho de extrusãoUS$ 10,6 milhõesem reexame no escritório desde 10/8, a pedido da Bambu; a patente expira em março de 2027
US 9.168.698 e US 10.556.381 — detecção de forçaUS$ 2,8 milhõesreivindicações julgadas derrubadas no PTAB (acima)

Mesmo a parte de US$ 2,8 milhões — cerca de R$ 14 milhões pela PTAX de 9 de outubro — não cai sozinha. A Stratasys pode pedir revisão ao diretor do escritório ou recorrer ao Tribunal de Apelações do Circuito Federal, que é quem tem a palavra final sobre as decisões do PTAB. Só se elas ficarem de pé é que a Bambu ganha um argumento forte para derrubar essa fatia da sentença.

Os próximos prazos

  • 16 de outubro (sexta-feira): fim do prazo para os pedidos pós-julgamento no Texas, como o de anular o veredicto ou fazer novo julgamento.
  • Fim de novembro e começo de dezembro: prazo da Stratasys para recorrer das quatro decisões novas do PTAB.
  • Depois dos pedidos pós-julgamento: as duas partes podem apelar da sentença ao Circuito Federal. A Bambu já disse que vai.
  • Segundo processo: ainda sem data de julgamento. Das cinco patentes dele, três já perderam todas as reivindicações contestadas no escritório; as outras duas estão em reexame.

Depois do veredicto, em setembro, a Bambu Lab disse que respeita o processo judicial, mas discorda do resultado e que vai usar o direito de pedir revisão e de recorrer. A Stratasys disse que “continuará a trabalhar” nas questões pós-julgamento e de apelação. Procuradas pela All3DP, as duas não responderam às perguntas sobre o caso.

O que muda para quem tem uma Bambu no Brasil

Nada, por enquanto — como já não tinha mudado com a condenação. A disputa é sobre patentes americanas, que só valem nos Estados Unidos, e o que está em jogo é dinheiro: a sentença do Texas não tratou do pedido de proibição de venda feito pela Stratasys. A A1, a P1S e o AMS continuam à venda nas revendas oficiais brasileiras, aos preços da nossa tabela de outubro.

O interesse do caso, para quem está fora dos EUA, é outro. Torre de purga, sensor de força no bico e carretel com etiqueta RFID não são exclusividade da Bambu: aparecem em impressoras de várias marcas. Cada reivindicação que cai no escritório de patentes é uma a menos que a Stratasys poderia usar contra o resto do mercado — e a que mais pesa, a da torre de purga, é justamente a que resistiu.

Nota de apuração: as datas das decisões do PTAB, o estado das dez patentes dos dois processos, a divisão da condenação por patente, os prazos seguintes e as notas da Bambu Lab e da Stratasys são da reportagem da All3DP de 7/10/2026 (texto sob licença Creative Commons Attribution 4.0); os números completos das patentes e a explicação dos padrões de prova são da Fabbaloo, de 8/10/2026; a decisão de junho sobre a patente da torre de purga é da Fabbaloo, com trecho da decisão do PTAB. Não lemos as decisões do PTAB na íntegra. A conversão usa a PTAX de venda do Banco Central de 9/10/2026, R$ 4,9892. A foto é de divulgação da Bambu Lab, com os selos promocionais da loja recortados. Não há link comissionado nesta matéria.

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