Chocolate, queijo, patê e até proteína de ervilha: a impressora búlgara que aceita mais de 26 pastas na seringa — e quanto custaria trazer uma
A impressora de alimentos Chocola3D processa mais de 26 pastas — chocolate, queijo, patê de carne, húmus e proteína de ervilha — com seringa aberta, por 1.990 euros.

A pergunta que toda impressora de alimentos provoca — “tá, mas ela só faz chocolate?” — tem uma resposta búlgara: não. A Chocola3D, fabricada em Sófia por uma empresa que faz impressoras de comida desde 2017, voltou ao noticiário especializado nesta semana com a sua ficha mais insólita: mais de 26 pastas diferentes já validadas na máquina, do chocolate ao queijo, passando por patê de carne, pastas de legumes e frutas, húmus, massa de confeitaria e até proteína de ervilha. E o detalhe que interessa a quem é do nicho não é o cardápio — é a arquitetura: em vez de cápsula proprietária, uma seringa aberta que o dono enche com o que quiser.
Como ela funciona: FDM de comer
A mecânica é a de uma impressora de mesa que o leitor já conhece, com a extrusora trocada por uma seringa de aço inox alimentar que empurra a pasta por bicos de 0,7, 0,9 ou 1,2 mm, camada sobre camada, numa área de impressão de 250 × 230 × 150 mm. Há autocalibração, controle térmico da área de impressão (resfriamento para o chocolate firmar entre camadas), e o fluxo de trabalho é o nosso de sempre: STL e G-code, fatiado em Cura ou similares, com controle remoto por navegador e aplicativo.
A escolha da seringa aberta é a decisão de engenharia que define o produto — nos dois sentidos. A favor: liberdade total de receita, custo zero de consumível proprietário e a razão de a lista de pastas não parar de crescer. Contra: quem calibra a “impressão” de cada receita é você — temperatura, fluxo e velocidade de um húmus não são os de um ganache, e a fabricante não esconde que os parâmetros ficam por conta do usuário. É o Marlin da cozinha: poder e trabalho no mesmo pacote.
Quanto custa — e a conta de trazer uma
A Chocola3D parte de 1.990 euros na saída da fábrica (EXW), com envio mundial por courier — posicionamento agressivo num mercado em que as concorrentes de cápsula rondam os 4 a 6 mil euros. Na cotação PTAX desta sexta (R$ 6,0315), só a máquina dá cerca de R$ 12.003. A conta de importação por remessa expressa, linha a linha e sem o frete (cotado no checkout; ele entra na base e aumenta o imposto):
| Item | Valor |
|---|---|
| Chocola3D (€ 1.990, PTAX 28/08) | R$ 12.002,70 |
| Imposto de importação (60% − US$ 30 de desconto) | R$ 7.046,69 |
| ICMS (17%, cobrado “por dentro”) | R$ 3.901,68 |
| Total estimado sem frete | R$ 22.951,07 |
Ou seja: quase R$ 23 mil na porta antes do frete — a importação praticamente dobra o preço, como em toda máquina acima da faixa de isenção. O desconto de US$ 30 é o da Portaria MF 1.342/2026 (Remessa Conforme); o ICMS usa a alíquota padrão de 17%, que varia por estado.
Para quem isso faz sentido
Não é eletrodoméstico de curioso — nesse preço, é ferramenta de negócio: confeitarias e chocolaterias que vendem peça personalizada, buffets que imprimem ao vivo em evento, escolas de gastronomia. Para o leitor maker, o valor da notícia é outro: a impressão de pasta é a fronteira em que a lógica da FDM sai do plástico — e a aposta da fabricante búlgara, de abrir a seringa em vez de fechar o consumível, é exatamente o debate aberto × proprietário que o nicho conhece de cor nas impressoras de filamento.
Nota de apuração: cardápio de pastas, sistema de seringa aberta, especificações (área de 250 × 230 × 150 mm, bicos de 0,7/0,9/1,2 mm, STL/G-code, controle remoto), preço de € 1.990 EXW e o posicionamento ante concorrentes de € 4-6 mil são do site oficial da Chocola3D, conferido em 28/08/2026, na esteira da cobertura do 3Druck.com desta semana; não testamos a máquina. A conta de importação é exercício ilustrativo desta redação com o PTAX de 28/08 e ICMS de 17% — o frete real entra na base tributável, e alíquotas variam por estado; confira os valores vigentes antes de comprar. A foto é imagem oficial de divulgação da fabricante. Não há link comissionado nesta matéria.
Fontes
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