O recorde durou um dia: a Expo3DBr virou mural de reclamações — e a organização é acusada de apagar críticas
Após o recorde de 17 mil inscritos, a Expo3DBr 2026 virou alvo de dezenas de relatos de caos, filas e estoques esgotados. Visitantes cobram ingresso pago e local maior.

O recorde durou menos de 24 horas como boa notícia. Um dia depois de a Expo3DBr comemorar mais de 17 mil inscrições — o dobro da edição anterior —, as páginas do evento viraram um mural de reclamações: dezenas de visitantes descrevem filas de horas para entrar, corredores onde não se conseguia andar, estandes sem produto para vender e, no caso mais grave, furtos. “Viajei cerca de 600 km”, escreveu um deles, “foram aproximadamente 4 horas para conseguir ingressar, para depois ter cerca de 1 hora de visitação em meio a muito caos.”
Os relatos: quem viajou e não entrou
O padrão se repete nos depoimentos de quem veio de longe. Um visitante conta que saiu de Belo Horizonte, encarou mais de uma hora de fila e desistiu sem entrar: “Gastei para estar lá e nem consegui entrar. Já fui em várias feiras e nunca vi uma feira desorganizada.” Outro relata ter vindo de Cajamar, não ter achado vaga nem no local nem no entorno, deixado o carro no cemitério a 1 km e ido a pé — para ficar quinze minutos e voltar: “não tinha a menor condição de ver nada.”
Um terceiro, do interior de São Paulo, resume a crítica que mais aparece: a de que a organização tinha os dados para prever a lotação e não agiu.
“Teve credenciamento, portanto dava para ter fechado as inscrições antes. Do que adianta ter um monte de cadastros com nome e e-mail, se todos que foram lá hoje mal conseguiam se mexer lá dentro?”
As comparações são duras e recorrentes: “parecia o Brás no final do ano”, “parecia mais uma feira de ciências de colégio”, “fila pra andar apenas”. Um comentário com dezenas de curtidas resume o mal-estar por outro ângulo: “foi mais um aglomerado de influencers do que as marcas expondo alguma coisa”.
Expositor sem produto: o estoque acabou no primeiro dia
A queixa mais reveladora para quem acompanha o mercado não é sobre espaço, e sim sobre abastecimento. Vários visitantes relatam que, ainda ao meio-dia da sexta-feira — primeiro dos três dias —, boa parte dos estandes já não tinha filamento para vender. “Cheguei às 12h30 do primeiro dia e a maioria dos expositores já não tinha mais filamentos”, escreveu um. Outro foi específico e citou o estande da marca mais desejada do momento: “Bambu Lab com monte de expositor, não tinha filamento pra vender”.
A percepção é confirmada por quem estava trabalhando lá dentro. Em story publicado ainda na sexta, a criadora Carol Cardoso (@3dcomcarol) contou que as empresas com quem conversou precisaram correr atrás de mais estoque porque o que levaram acabou: “Sério, estava tipo insano. Eu fico imaginando: hoje é sexta. Imagina amanhã.”
Houve também quem tenha saído satisfeito — e comprando: “Aproveitei a promoção e peguei 18 filamentos, cores incríveis”, escreveu uma visitante; outro comemorou ter saído “cheio de filamentos”.
Furtos: organizador fala em grupo infiltrado
O capítulo mais sério é o dos furtos, que este site noticiou no sábado. Em entrevista ao portal Notícias3D, o organizador Cleber Rampazo confirmou os relatos e deu uma explicação nova: segundo ele, um grupo teria se infiltrado no evento especificamente para isso.
“Aparentemente ontem entrou algum grupo que se infiltrou exatamente para fazer esse tipo de coisa. A instituição reforçou a segurança, já está de olho em alguns tipos de comportamento, mas nós acreditamos que hoje já não vai haver mais isso.”
Nos comentários do mesmo vídeo, uma visitante relata que a mãe foi vítima: “Roubaram a minha mãe! Que falta de segurança!”
Uma acusação que merece resposta
Entre as críticas, uma vai além da logística e precisa de registro separado — por ser uma acusação, e não um fato apurado. Um visitante afirmou publicamente que a página do evento estaria apagando comentários negativos. A frase acumulou dezenas de curtidas e aparece no fio de uma publicação que segue no ar com os comentários visíveis, inclusive os mais críticos. Até a publicação desta reportagem, a organização não havia se manifestado sobre esse ponto específico; o espaço permanece aberto.
Por precaução — e justamente porque a acusação existe —, o FilamentoNews preservou uma cópia integral dos comentários públicos analisados nesta reportagem, com data e hora da coleta.
A defesa: “não é má organização, o mercado cresceu”
Nem tudo é ataque, e a reportagem seria desonesta sem o outro lado. Parte da comunidade saiu em defesa do evento, atribuindo o caos ao tamanho inesperado da demanda:
“Pessoal, não é que a feira é mal organizada, o mercado cresceu muito! E o organizador é um cara gente boa demais. Mas a próxima com certeza isso tudo será resolvido.”
Há relatos concretos que contradizem a versão do caos absoluto: uma visitante conta ter chegado às 10h da manhã e encontrado vaga em um minuto perto do prédio U, elogiou as palestras da trilha de saúde e diz que voltará nos próximos anos. Outros aproveitaram o evento para o que ele se propõe — conhecer pessoalmente quem se acompanha pela internet, tirar dúvidas e fechar negócio.
O que a comunidade está pedindo para 2027
Das dezenas de comentários sai uma pauta surpreendentemente organizada, quase unânime em dois pontos:
- Cobrar ingresso, mesmo simbólico. A ideia se repete: um valor pequeno filtraria o público de passagem e daria previsibilidade. “Se tivesse cobrado 10 ou 20 reais de entrada não estaria essa loucura”, argumenta um visitante que diz ter ido comprar máquina e desistido por falta de atendimento.
- Trocar de endereço. A crítica ao ginásio do Instituto Mauá é o denominador comum de praticamente todos os relatos negativos, com sugestões de espaços maiores — o Anhembi é o mais citado.
O recado que fica
Há uma leitura menos óbvia por trás da irritação: ninguém reclama de fila em feira que ninguém quer ir. O caos de 2026 é subproduto direto do crescimento que a própria feira ajudou a construir — o mesmo movimento que fez impressora 3D virar item de shopping, farm virar renda de família e as marcas chinesas tratarem o Brasil como prioridade. O evento dobrou de público em um ano; a estrutura, não.
A Expo3DBr encerra neste domingo (23), das 10h às 17h, com programação para famílias e concurso de cosplay — com inscrições esgotadas e sem entrada para quem não tem ingresso cadastrado. O teste de 2027 já está posto, e a comunidade deixou o gabarito escrito nos comentários.
Nota de apuração: os depoimentos citados são comentários públicos publicados nos perfis @expo3dbr e @noticias3d.com.br entre 21 e 22 de agosto de 2026, coletados por este site em 22/08 às 17h25 e preservados em arquivo com data e hora. Optamos por não identificar os autores dos comentários — visitantes que são pessoas físicas —, reproduzindo apenas o conteúdo; agentes profissionais e o organizador são nomeados. A declaração de Cleber Rampazo foi dada em entrevista ao portal Notícias3D. A informação sobre estoques esgotados aparece em relatos de visitantes e em story da criadora Carol Cardoso. A foto é frame de vídeo publicado por @unipedia3d na tarde de sábado, recortado apenas para remover a etiqueta de story; a cena não foi alterada.
Fontes
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