Notícias

O andador infantil que qualquer farm pode imprimir: dois irmãos ingleses viraram notícia na BBC por entregar de graça um projeto aberto — que custa R$ 770 de material e uma semana de máquina

Andador infantil impresso em 3D: a MakeGood publica o projeto aberto e voluntários imprimem e entregam de graça. Leva 10 rolos de PETG, 3 de TPU e uma semana.

Andador infantil impresso em 3D em laranja, roxo, amarelo e azul, com assento acolchoado, cintos e rodas grandes, exposto num estande da Bambu Lab em feira
Foto: Divulgação / MakeGood, via blog da Bambu Lab (Formnext 2025)

Um andador infantil impresso em 3D — o “Toddler Mobility Trainer”, ou TMT — está sendo fabricado por voluntários em todo o mundo e entregue de graça a famílias de crianças com paralisia cerebral, espinha bífida e atrasos de desenvolvimento, a partir de um projeto aberto publicado pela organização americana MakeGood. Nesta quinta (3/9) a BBC contou a história de dois irmãos de Plymouth, na Inglaterra, os engenheiros Josh e Max Dixon, que imprimem os andadores em casa e os doam: um deles mudou a rotina de Charlie, de quatro anos, que tem uma forma grave de epilepsia. A receita está publicada: 8 a 10 rolos de PETG, 2 a 3 de TPU, seis parafusos, três rodízios e cerca de uma semana numa impressora de mesa.

Depois da gata Matilda em Guarapuava e do gatinho Gelato em Cincinnati, esta é a terceira matéria da semana sobre o mesmo mecanismo — e a primeira em que a peça não é sob medida para um paciente, e sim um projeto que qualquer pessoa com uma impressora pode reproduzir. É a diferença entre uma boa história e um sistema.

O que é o Toddler Mobility Trainer

O TMT é uma cadeira-andador para crianças de 1 a 8 anos que ainda não andam sozinhas: assento com cintos, rodas grandes laterais e rodízios, tudo impresso, exceto a ferragem. Foi desenvolvido pela MakeGood, organização sem fins lucrativos de Nova Orleans liderada pelo arquiteto hospitalar Noam Platt, e nasceu de um post no Reddit; foi testado com seis famílias antes de o projeto ser publicado, em dezembro de 2025, no MakerWorld e no site da organização, sob licença aberta.

Os números que a MakeGood e a Bambu Lab — que cedeu impressoras e material na fase de protótipo e levou o andador à Formnext 2025 — divulgaram:

ItemEspecificação
Faixa etária1 a 8 anos
Filamento8 a 10 rolos de PETG + 2 a 3 rolos de TPU
Ferragem6 parafusos, 2 porcas, 2 arruelas, 2 rodízios dianteiros, 1 traseiro
Tempo de impressãocerca de uma semana numa Bambu Lab A1
Custo de materialcerca de US$ 150
Custo para a famíliazero

Como a rede funciona

O modelo da MakeGood tem três pontas: a família preenche um pedido no site; a organização revisa e a conecta a um maker verificado — que se compromete a “construir com segurança, seguir o projeto, usar os materiais especificados e entregar um dispositivo confiável”; e doadores ajudam a bancar o material. Os irmãos Dixon são dois desses makers. Para Rachel, mãe de Charlie, o efeito foi menos técnico do que social: “É ótimo que o Charlie esteja recebendo essa atenção, em vez das cadeiras anteriores, quando era ‘ah, que pena que ele não pode sair’”.

E no Brasil?

Aqui a conta muda de moeda, não de ordem. Os cerca de US$ 150 de material que a MakeGood declara dão R$ 770 na cotação PTAX de quarta (R$ 5,1273) — dez rolos de PETG e três de TPU, que em marca nacional custam na mesma faixa —, o custo de uma cadeira que, importada pronta, não existe nesse tamanho. Uma farm com duas ou três máquinas fecha o andador em dias, não numa semana.

O que ainda não conseguimos confirmar: se a MakeGood aceita makers e pedidos de fora dos Estados Unidos e do Reino Unido. O site não lista países, o formulário de cadastro é aberto e a organização se descreve como rede global, mas não há menção ao Brasil nem a envio internacional. Escrevemos para a MakeGood perguntando e atualizamos esta matéria quando houver resposta. Enquanto isso, o projeto está publicado e é aberto: nada impede uma farm brasileira de imprimir um TMT para uma família da própria cidade — desde que siga o projeto, use PETG e TPU como especificado e entenda que está entregando um equipamento de apoio, não um brinquedo.

O que fica de aviso

Andador para criança com deficiência é dispositivo de saúde. O projeto da MakeGood foi testado com seis famílias e acompanhado por profissionais de saúde da organização; quem reproduz por conta própria assume a responsabilidade pelo ajuste, pelo material e pela montagem. A regra da rede — “siga o projeto, use os materiais especificados” — existe porque uma substituição de PETG por PLA muda a resistência da peça, e uma criança vai sentar nela.

Nota de apuração: a história dos irmãos Dixon, a citação de Rachel e o caso de Charlie vêm da reportagem da BBC Devon de 3/9/2026, lida na íntegra em republicação (Yahoo) e traduzida por nós; a origem do TMT, a faixa etária, materiais, ferragem, tempo, custo, os testes com seis famílias, a licença aberta e o papel da Bambu Lab vêm do post oficial do blog da Bambu Lab (3/12/2025) e do site da MakeGood, lidos em 3/9; o compromisso do maker verificado é citação do site. O valor em reais é conversão nossa dos US$ 150 declarados pela MakeGood, na PTAX de venda de 2/09; a observação sobre a faixa de preço de PETG e TPU nacionais é contextualização, não cotação de loja. A ausência de informação sobre cobertura internacional é constatação nossa após ler as páginas de pedido e de cadastro; a MakeGood foi procurada. A foto é de divulgação (Formnext 2025), publicada pela Bambu Lab. Não há link comissionado nesta matéria.

Publicidade
Anuncie no FilamentoNewsSeu produto na frente de quem imprime em 3D no Brasil.Fale com a gente →