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A China exportou 3,6 milhões de impressoras 3D no primeiro semestre, 90% a mais que em 2025 — e quatro marcas de Shenzhen controlam 94% do que se vende abaixo de US$ 2.500

China exportou 3,62 milhões de impressoras 3D no 1º semestre de 2026 (+90%), 9,61 bi de yuans. Bambu, Creality, Anycubic e Elegoo têm 94% do mercado. E aqui?

Gráfico de barras: exportação chinesa de impressoras 3D no primeiro semestre, 1,90 milhão em 2025 contra 3,62 milhões em 2026, alta de 90%, com valor de 9,61 bilhões de yuans
Foto: Arte / FilamentoNews, com dados da Alfândega da China

A China exportou 3,62 milhões de impressoras 3D no primeiro semestre de 2026, 90% a mais que no mesmo período de 2025, num total de 9,61 bilhões de yuans (cerca de US$ 1,43 bilhão), alta de 109% em valor — dados da Administração Geral de Alfândegas do país. No ritmo atual, a projeção do setor é fechar o ano em 8 milhões de máquinas. Praticamente tudo isso sai de um lugar: a província de Guangdong responde por 88% das exportações, e quatro empresas de Shenzhen — Bambu Lab, Creality, Anycubic e Elegoo, os “quatro dragões” — detêm 94% do mercado mundial de impressoras abaixo de US$ 2.500.

Para o leitor brasileiro, o número tem uma leitura direta: a impressora na sua bancada, a do seu fornecedor de peças e a que está na vitrine da loja de Santa Ifigênia vieram da mesma cidade. O que acontece em Shenzhen decide preço, prazo e peça de reposição aqui.

Os números, na ordem em que saíram

PeríodoUnidadesValorVariação
1º trimestre 2026+119% em valor (Xinhua, alfândega)
Janeiro a abril2,46 milhões6,1 bi de yuans+100% em valor
1º semestre3,62 milhões9,61 bi de yuans (≈ US$ 1,43 bi)+90% em unidades, +109% em valor
1º semestre 20251,90 milhão

O crescimento em valor ser maior que em unidades diz que o preço médio subiu — a máquina exportada de 2026 é mais cara que a de 2025, o que combina com a migração do mercado para modelos fechados, multicoloridos e mais rápidos.

Quem são os quatro dragões

  • Bambu Lab passou a Creality em 2025 e tem 37% do mercado de entrada; a receita de 2025 ultrapassou 10 bilhões de yuans (≈ US$ 1,5 bilhão), a primeira empresa de impressão 3D a cruzar essa marca. A plataforma MakerWorld tem mais de 300 mil criadores ativos e perto de 2 milhões de modelos, com cerca de 100 mil novos por mês.
  • Creality abriu capital em Hong Kong, vende em mais de 140 países e tira cerca de 90% da receita de fora da Ásia — e, como mostramos em agosto, projetou prejuízo no primeiro semestre por causa da guerra de preços.
  • Anycubic e Elegoo completam o grupo. O vice-presidente da Elegoo, Chen Bo, explicou à Xinhua a vantagem que nenhum concorrente de fora reproduz: “por não terem as redes de manufatura, e-commerce e logística da China, eles não conseguem entregar peça de reposição no mesmo dia ou no dia seguinte”. Segundo a associação de impressão 3D de Shenzhen, 80% dos componentes centrais são comprados num raio de poucas dezenas de quilômetros.

Há um dado a tomar com cuidado: a mídia estatal chinesa diz que Shenzhen tem “cerca de 90%” do mercado mundial de impressoras de consumo, sem citar quem mediu. O número dos “quatro dragões” (94% abaixo de US$ 2.500) também vem da Xinhua. São plausíveis e consistentes com o que se vê nas lojas, mas não há auditoria independente.

O que isso muda para quem imprime no Brasil

Três coisas. Preço: a guerra de preços que levou a Creality ao prejuízo é a mesma que fez uma máquina fechada de quatro cores ser anunciada a US$ 299, como a SPARKX i7 Nano que mostramos em agosto — e a exportação dobrando é o combustível dela. Dependência: com 94% do mercado em quatro empresas da mesma cidade, qualquer tarifa, embargo ou surto de covid em Guangdong vira falta de máquina e de peça no Brasil em semanas; não há plano B nacional nem fora da China. Peças e suporte: a vantagem logística de que a Elegoo se gaba vale para o mercado deles — aqui, o “dia seguinte” continua sendo importação de bico e hotend, com imposto.

Nota de apuração: os números do 1º trimestre, a fatia de Guangdong, os 94% dos quatro dragões, os dados do MakerWorld e as citações de Chen Bo e Bai Xue vêm da reportagem da Xinhua de 27/4/2026, que cita a alfândega chinesa; o dado de janeiro-abril (2,46 milhões) é da CGTN (2/6) citando a Administração Geral de Alfândegas; o semestre (3,62 milhões, 9,61 bi de yuans, +90%/+109%, base de 1,90 milhão em 2025) é do Fabbaloo (agosto) e do Bamboo Works (3/9), ambos citando a mesma alfândega — não acessamos o boletim original da alfândega. Receita e fatia da Bambu Lab e dados da Creality são do Bamboo Works e de nossa cobertura anterior. A conversão de yuans para dólar é a das fontes. A leitura sobre preço médio, dependência e efeito no Brasil é análise desta redação. O gráfico é arte própria com esses dados.

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