O SUS decidiu imprimir dentadura em 3D: laboratório que trocar o molde por scanner e impressora ganha 30% a mais de custeio — e Diadema já zera fila de 6.600 pacientes assim
Prótese dentária digital no SUS: Ministério da Saúde pactuou scanner e impressora 3D nos 3 mil laboratórios regionais, com 30% a mais de custeio. Diadema já faz.

A prótese dentária do SUS vai ser digital: o Ministério da Saúde pactuou na Comissão Intergestores Tripartite (CIT) que os cerca de 3 mil Laboratórios Regionais de Prótese Dentária (LRPDs) do país podem incorporar scanner intraoral, impressora 3D e software — e quem adotar o fluxo digital recebe 30% a mais de custeio mensal, com seis códigos novos de procedimento criados para isso. A decisão saiu em Porto Alegre, em 15 de julho, e depende de portarias no Diário Oficial para valer em cada laboratório. Enquanto isso, cidades que se adiantaram já mostram o efeito: Diadema (SP) lançou em março o programa Sorriso Novo para zerar uma fila de 6.600 pessoas esperando prótese, com escaneamento e impressão 3D, e começou a entregar em maio.
O SUS distribui 1,2 milhão de próteses por ano. Cada uma delas, hoje, nasce de um molde de alginato na boca do paciente, viaja para um laboratório, volta para prova, volta para ajuste. É essa cadeia que a impressora encurta — e é por isso que o assunto interessa a quem imprime: é o maior cliente de impressão 3D que o Brasil pode vir a ter.
O que o SUS pactuou
Segundo o Ministério, a atualização da Rede de Atenção à Saúde Bucal cobre uma estrutura de 34,5 mil equipes de saúde bucal na atenção primária, 1.200 Centros de Especialidades Odontológicas, 278 serviços de especialidade, 1.100 unidades odontológicas móveis e os 3 mil LRPDs. A novidade concreta é a autorização para que os laboratórios “incorporem scanner intraoral, impressoras 3D e softwares”, com:
- +30% de custeio mensal para o laboratório que trabalhar no fluxo digital;
- seis novos códigos de procedimento na tabela do SUS, específicos do processo digital;
- recursos adicionais para atender comunidades tradicionais e população em situação de rua.
“Essas mudanças refletem evidências científicas colhidas junto à população”, disse a secretária de Atenção Primária, Ana Luiza Caldas, no comunicado. O que o Ministério não informou: quanto vai investir em equipamento, quantos laboratórios já operam digital e o prazo das portarias.
Como funciona onde já funciona: Diadema
Diadema não esperou. O programa Sorriso Novo, lançado em março com convênio do governo paulista de R$ 2 milhões por mês durante um ano, trocou o molde pelo scanner intraoral e o laboratório externo pela impressão 3D. Segundo a prefeitura, o tempo entre a consulta e a prótese, que “levava meses”, cai para dias; são nove consultórios operando de segunda a sexta, e as primeiras próteses foram entregues em maio, com meta de zerar a fila de 6.600 pacientes até dezembro de 2026.
É o mesmo princípio dos odontomóveis com impressora que mostramos em agosto — a diferença é a escala: lá, uma van; aqui, a rede inteira.
O que muda para quem imprime
Prótese dentária impressa não sai de uma máquina de filamento: é resina odontológica, em impressora de resina (MSLA/DLP) certificada, com pós-cura e registro na Anvisa. Mas a decisão do SUS cria demanda por três coisas que o mercado brasileiro de impressão 3D já vende: impressoras de resina de bancada, resinas biocompatíveis nacionais e gente que saiba operar e manter o fluxo. Três mil laboratórios com 30% a mais de custeio para digitalizar é o tipo de mercado que aparece uma vez.
O que ainda não se sabe: o Ministério não divulgou lista de equipamentos homologados nem edital de compra, e a economia por prótese só existe como relato municipal, sem estudo publicado.
Nota de apuração: a pactuação, os números da rede, os 30%, os seis códigos, a citação e a data vêm do comunicado oficial do Ministério da Saúde de 15/7/2026, lido integralmente; a estrutura, prazos e valores do Sorriso Novo vêm da cobertura local de Diadema (Tribuna do ABCD e Repórter Diário, março e maio de 2026), com base em informações da prefeitura. Não localizamos a apresentação em Sergipe noticiada em 4/9 e por isso ela não está aqui. A observação sobre resina, certificação e Anvisa é contextualização técnica desta redação. A foto é do Ministério da Saúde (crédito Taysa Barros), da reunião da CIT.
Fontes
- https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/julho/proteses-dentarias-digitais-e-rede-de-atencao-a-saude-bucal-sao-pactuadas-na-cit-em-porto-alegre
- https://www.tabcd.com.br/noticia/diadema-lanca-programa-sorriso-novo-e-usara-impressao-3d-para-zerar-fila-de-proteses-dentarias
- https://www.reporterdiario.com.br/noticia/3831433/
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