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PrusaSlicer 3.0 em alpha: o que muda — interface refeita do zero, várias impressoras no mesmo projeto e um sistema de perfis novo, mas ainda sem SLA e sem impressora de outras marcas

O PrusaSlicer 3.0 está em alpha pública: interface nova, vários projetos em abas, mesas com perfis diferentes e plugins. O que ainda falta e quem deve esperar.

Tela do PrusaSlicer 3.0 com duas abas de projeto no alto, a lista de objetos à esquerda agrupando mesas de três impressoras Prusa diferentes e peças laranja distribuídas em várias mesas no centro
Foto: Divulgação / Prusa Research

O PrusaSlicer 3.0 já pode ser baixado em versão alpha pública — a mais recente é a 3.0.0-alpha12, de 21 de setembro — e muda quase tudo o que o usuário vê: a interface foi reescrita do zero, um mesmo projeto passa a aceitar várias mesas com configurações diferentes (e até impressoras diferentes), vários projetos abrem em abas na mesma janela e o sistema de perfis foi refeito. É a maior reforma do fatiador desde que a Prusa o herdou do Slic3r, e a própria empresa avisa que esta alpha não é a versão quase pronta a que se acostumaram seus testadores: é instável, incompleta e não deve ir para a impressora que paga as contas.

A primeira alpha pública, a alpha11, saiu em 1º de setembro, data escolhida a dedo: exatamente 15 anos depois do primeiro commit do Slic3r, feito por Alessandro Ranellucci em 2011. A alpha12 veio três semanas depois, dedicada a corrigir os travamentos mais frequentes. Até este domingo, 11 de outubro, não há alpha13 nem beta no repositório oficial, e a versão estável continua sendo a 2.9.6, de 25 de junho — a que trouxe o ColorMix.

O que muda no PrusaSlicer 3.0

Segundo as notas de lançamento, a Prusa decidiu reescrever a maior parte do código da interface porque o programa tinha acumulado tanta gambiarra que a equipe às vezes preferia não corrigir um bug “com o raciocínio de que o bug é melhor do que aquilo que a correção provavelmente causaria”. O motor de fatiamento foi mantido, com mudanças internas. O que aparece para o usuário:

Várias mesas e várias impressoras no mesmo projeto

As várias mesas estrearam na 2.9.0 de forma mínima: todas com a mesma configuração e no máximo nove. Na 3.0, cada mesa tem a sua configuração, dá para misturar impressoras diferentes no mesmo arquivo — uma MK4S e uma XL lado a lado, no exemplo do blog da Prusa — e o limite de nove caiu. Quando o projeto tem várias mesas, elas são fatiadas em paralelo.

Vários projetos em abas

Cada projeto abre numa aba da mesma janela, com suas próprias ferramentas e diálogos abertos. O programa também passa a salvar cópias de segurança dos projetos abertos em segundo plano, para recuperá-los depois de um travamento.

Interface nova do PrusaSlicer, com painel contextual e favoritos

Há uma barra à esquerda para alternar entre fatiamento, Prusa Connect e Printables; a lista de objetos à esquerda virou um resumo do projeto; e o painel da direita muda conforme o que está selecionado — perfis quando é uma mesa, ajustes da peça quando é um objeto, controles da ferramenta quando ela está aberta. Qualquer opção pode ser marcada com uma estrela e passa a aparecer nesse painel, o que a Prusa espera que poupe a maioria dos usuários de abrir as configurações completas. Vieram ainda o cubo de navegação, modo claro além do escuro, renderização com sombras (que pode ser desligada em placa de vídeo fraca) e esquemas de mouse que imitam Blender, Tinkercad, Fusion e SolidWorks.

Sistema de perfis novo, pensado para impressora com várias ferramentas

O perfil deixou de ser uma lista de combinações prontas. Agora o usuário escolhe a impressora — uma XL de cinco ferramentas, por exemplo — e o diâmetro e o tipo de cada bico viram parâmetros que se ajustam na lista suspensa; o perfil se recalcula sozinho. Há um quarto tipo de perfil, o ToolPrint, para ajustes que variam por ferramenta, e o formato dos arquivos de perfil passou de .ini para .yaml. Também dá, enfim, para deixar alterações sem salvar em vários perfis de filamento ao mesmo tempo.

Calibração por plugin, modo offline e desempenho

A 3.0 traz duas impressões de calibração paramétricas, torre de fluxo e torre de temperatura, implementadas como plugins em Lua que rodam isolados, sem acesso ao disco nem à rede. A Prusa promete uma loja de plugins da comunidade “em um dos próximos lançamentos”. Todos os serviços online podem ser desligados no assistente inicial, antes de qualquer comunicação; no modo offline completo, segundo o blog, as bibliotecas de rede nem são carregadas. A empresa diz que o programa abre e fatia mais rápido e que salvar um 3MF ficou “mais de duas vezes” mais rápido do que na 2.9.6. Objetos agora podem flutuar acima da mesa, e o envio automático de relatório de travamento existe, mas só funciona se o usuário ativar.

O que falta no PrusaSlicer 3.0 em relação à 2.9.6

A lista do que ainda não foi portado é o motivo principal para a maioria esperar:

RecursoPrusaSlicer 2.9.6PrusaSlicer 3.0 alpha12
Fatiamento para resina (SLA)simsuprimido
Perfis de impressoras de outras marcassimnão — só impressoras Prusa
Visualizador de G-code avulsosimnão, e não virá na 3.0.0
Scripts de pós-processamentosimainda não
Editor de G-code personalizadosimainda não
Arranjo sequencial (uma peça de cada vez)simainda não
Espelhar objetosimainda não
Mouse 3D da 3Dconnexionsimainda não
Acessibilidade e leitor de telasimainda não
Mesas com configurações diferentesnãosim, sem limite de quantidade
Vários projetos na mesma janelanãosim, em abas
Torres de calibração paramétricas embutidasnãofluxo e temperatura
Desligar todos os serviços onlineparcialsim

A ausência dos perfis de terceiros é a que mais pesa fora do mundo Prusa: a alpha só traz perfis de impressoras da marca. A empresa diz que isso não é “o primeiro passo para um jardim murado” e que os perfis de outras marcas voltam depois. As notas também avisam que abrir projetos de impressora personalizada ou de outros fatiadores ainda não é totalmente suportado, que a linha de comando foi refeita (scripts de automação podem quebrar) e que o cálculo da largura de extrusão passou a usar o diâmetro do bico, e não a altura de camada — projetos da 2.x são convertidos na importação.

Dá para usar o PrusaSlicer 3.0 junto com a 2.x?

Dá. As versões alpha guardam os perfis numa pasta própria, PrusaSlicer3-dev, separada da que a 2.x usa, e a Prusa afirma que as duas rodam lado a lado “sem nenhum conflito”. A compatibilidade de arquivos é de mão única:

  • 3MF da 2.x na 3.0: abre com geometria e configurações; valores alterados continuam marcados como alterados.
  • 3MF da 3.0 na 2.x: só a geometria; a configuração é descartada (a 2.9.1 em diante avisa).
  • 3MF do Bambu Studio e do OrcaSlicer na 3.0: entra só a geometria.

Na página oficial de download, a alpha12 aparece para Windows (arquivo .zip, sem instalador) e macOS (.dmg). No Linux, a Prusa passou a distribuir o PrusaSlicer só pelo Flathub, e a alpha está no repositório flathub-beta.

O que muda para quem imprime no Brasil

Para quem tem MK4S, Core One ou MINI, a alpha já reconhece a máquina e pode ser instalada para conhecer a interface, já que não mexe na configuração da 2.9.6. Não é ferramenta de produção: a Prusa pede que os testadores relatem falhas no GitHub ou no fórum, e a correção dos travamentos mais comuns foi o assunto inteiro da alpha12. Quem vende peça, tem fazendinha de impressoras ou depende de script de pós-processamento deve continuar na 2.9.6 até a beta. Quem usa o PrusaSlicer com Creality, Elegoo ou outra marca não tem o que testar ainda.

O pacote de tradução para português do Brasil continua no código da alpha12, mas não verificamos quanto da interface nova já está traduzido.

E para quem usa Bambu Studio ou OrcaSlicer, que descendem do PrusaSlicer? Não há anúncio. Até 11 de outubro, nem a Bambu Lab nem o projeto Orca disseram se vão incorporar algo da 3.0, e não encontramos discussão sobre isso nos repositórios dos dois. A licença continua a AGPLv3, a mesma da 2.x, o que mantém o código aberto para quem quiser aproveitá-lo. Josef Průša, no blog de lançamento, faz outra aposta: com os plugins, quem hoje cria um fork para acrescentar um recurso poderia escrever um plugin. Para decidir entre os programas hoje, o guia de qual fatiador usar compara os quatro principais.

Perguntas frequentes sobre o PrusaSlicer 3.0

Quando sai a versão final do PrusaSlicer 3.0?

A Prusa não deu data. Até 11 de outubro, havia duas alphas públicas e nenhuma beta. O blog avisa que parte do que falta só deve ficar pronta na 3.1.0.

A alpha apaga meus perfis do PrusaSlicer 2.9.6?

Não, segundo a Prusa: a alpha grava tudo na pasta PrusaSlicer3-dev, separada da configuração da 2.x. Mas um projeto salvo na 3.0 perde as configurações se for aberto de volta na 2.x — guarde uma cópia antes de testar.

O PrusaSlicer 3.0 continua gratuito e de código aberto?

Sim. As notas da alpha11 dedicam uma seção ao assunto, por causa das discussões nas redes: a 3.x sai sob a licença AGPLv3 e, segundo a Prusa, “continua tão aberta” quanto a 2.x e o Slic3r original.

Nota de apuração: as datas, os recursos, a lista do que ainda falta, a pasta PrusaSlicer3-dev, as regras de compatibilidade de 3MF e a distribuição no Linux estão nas notas de lançamento da 3.0.0-alpha11 e da 3.0.0-alpha12 no GitHub oficial da Prusa e no texto de lançamento de Josef Průša no blog da empresa, de 1º de setembro; os arquivos para Windows e macOS são os listados na página de download da Prusa; a lista de releases e de tags do repositório e as buscas nos repositórios do Bambu Studio e do OrcaSlicer foram feitas por esta redação em 11/10/2026. A velocidade de abertura, de fatiamento e de salvamento é a informada pela Prusa. Não instalamos nem testamos a alpha. A imagem é uma captura de tela de divulgação da Prusa Research, publicada no blog de lançamento. Não há link comissionado nesta matéria.

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