O troféu que o vencedor de Monza vai levantar no domingo saiu de uma impressora 3D: pilha de xícaras em nylon sinterizado, banhada e polida até virar espelho
Troféu do GP da Itália 2026, em Monza, é impresso em 3D em pó de nylon e depois pintado, galvanizado e polido. A obra FRAGILE tem só quatro cópias.

O troféu do Grande Prêmio da Itália de Fórmula 1 deste domingo (6/9), em Monza, foi fabricado por impressão 3D: a peça, batizada de FRAGILE, é uma pilha de xícaras, tigelas e garrafas sinterizada em pó de nylon e depois pintada, galvanizada e polida até refletir como prata. A obra é da dupla italiana vedovamazzei (Stella Scala e Simeone Crispino), encomendada pela Pirelli — patrocinadora-título da prova — com o museu Pirelli HangarBicocca, e tem tiragem de quatro exemplares: três para o pódio e um para a equipe vencedora.
Nas redes, a reação foi a que se espera de um troféu que parece louça empilhada: “o que é isso?”. A resposta interessa a quem imprime, porque explica por que uma forma dessas só existe do jeito que existe graças ao processo.
Como o troféu de Monza foi feito
Segundo a ficha publicada pelo HangarBicocca, o processo começou do jeito antigo — desenhos e esboços no papel — e passou para “um processo altamente tecnológico de impressão 3D com pó de nylon”. É a descrição de sinterização a laser (SLS, ou tecnologia equivalente de fusão em leito de pó): o laser funde camada por camada de nylon em pó, sem suporte, o que permite as tigelas encaixadas de banda, as alças finas e a torre de equilíbrio precário que uma fundição ou usinagem tornariam caras ou impossíveis numa peça só.
Depois de impressa, a peça foi pintada, galvanizada e polida “até ficar reflexiva”. A galvanoplastia deposita metal de verdade sobre o plástico — é o mesmo caminho que hobbistas usam, em escala de bancada, para cromar peça de PLA. A diferença aqui é o acabamento de joalheria, e o fato de o objeto precisar sobreviver a champanhe no pódio.
Por que xícaras
A dupla explica que a ideia vem “da antiga tradição de passar uma taça comemorativa de mão em mão”: a vitória individual que é, na verdade, de um grupo — equipe, torcida, o circo inteiro da F1. Daí a pilha instável: “uma vitória conquistada volta após volta, que nunca corresponde a um status eterno e imutável. É instável, efêmera, precisa ser reconquistada.” O nome, FRAGILE, é o carimbo de caixa de mudança.
Para chegar lá, os artistas dizem ter visitado a Fundação Pirelli e os laboratórios de P&D da empresa, e citam como referências o construtivismo, os desenhos animados de Walt Disney e a pintura metafísica.
Um programa de seis anos
O troféu de artista é uma tradição recente de Monza: é a sexta edição do projeto da Pirelli com o HangarBicocca, que a cada ano encomenda a peça a um nome italiano da arte contemporânea. Antes de vedovamazzei vieram Alice Ronchi (2021), Patrick Tuttofuoco (2022), Ruth Beraha (2023), Andrea Sala (2024) e Nico Vascellari (2025).
O que a ficha não informa: dimensões e peso da peça, quem operou a impressão e a galvanização, nem quanto tempo levou. O GP da Itália larga no domingo, 6 de setembro, às 10h de Brasília.
Nota de apuração: processo de fabricação, materiais, acabamento, tiragem, conceito, referências, lista de artistas anteriores e as citações da dupla vêm da página oficial do museu Pirelli HangarBicocca e do comunicado da Pirelli de 1º/9/2026, lidos integralmente; as citações foram traduzidas por nós. A identificação do processo como sinterização em leito de pó é interpretação técnica desta redação a partir da descrição “impressão 3D com pó de nylon” — a ficha não nomeia a tecnologia nem o fornecedor. A comparação com galvanoplastia caseira é contextualização nossa. Foto de divulgação, crédito Agostino Osio, cedida pelo museu. Não há link comissionado nesta matéria.
Fontes
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