A UFMG imprimiu em 3D uma ressonância e uma tomografia de brinquedo — com Homem-Aranha e Hello Kitty — para explicar o exame à criança antes dele acontecer
A UFMG imprimiu em 3D maquetes de ressonância e tomografia com bonecos para preparar crianças antes do exame no Hospital das Clínicas. Veja como funciona.

Uma criança que vai fazer ressonância magnética entra numa sala fria, é deitada numa maca estreita e empurrada para dentro de um tubo barulhento onde precisa ficar imóvel por vários minutos. A Faculdade de Medicina da UFMG resolveu esse problema com filamento: imprimiu em 3D uma maquete do aparelho, outra do tomógrafo, e pôs Homem-Aranha, Olaf, Roblox e Hello Kitty para fazer o exame primeiro. Os modelos foram entregues no dia 27 de agosto e estão em uso na Unidade de Diagnóstico por Imagem do Hospital das Clínicas da UFMG.
Como funciona
A ideia é simples e é exatamente por isso que funciona: a criança conhece o equipamento em miniatura, na mão, antes de ver o de verdade. Ela põe o boneco na maca, empurra para dentro do tubo, entende que aquilo não machuca e que o barulho faz parte. Quando chega a hora do exame de verdade, o ambiente já não é desconhecido.
Nas palavras da própria universidade, o objetivo dos protótipos é reduzir o medo e a ansiedade do ambiente desconhecido, com a expectativa de ter menos desistências e facilitar todo o processo.
São dois equipamentos reproduzidos — ressonância magnética e tomografia computadorizada —, cada um acompanhado dos bonecos que servem de paciente-cobaia. A escolha dos personagens não é decoração: é o que faz uma criança de cinco anos querer chegar perto da máquina em vez de recuar dela.
Quem fez
O trabalho é da professora Críssia Fontainha, do Departamento de Anatomia e Imagem da Faculdade de Medicina, pelos projetos Aproxima Radio-UFMG e LAPIAS-RADIO, dentro do Laboratório de Prototipagem e Modelagem 3D para Aplicação na Área da Saúde — o LAPIAS, ligado ao Labsim da faculdade.
E aqui vem o detalhe que fala direto com quem lê este site: a modelagem contou com estudantes de Iniciação Científica Júnior do CEFET-MG. Ou seja, aluno de ensino médio modelando peça que foi parar num hospital universitário do SUS. Não é maquete de feira de ciências guardada numa gaveta — é equipamento em uso na fila de exame.
Por que isso importa mais do que parece
Quase toda notícia de impressão 3D na medicina fala de implante sob medida, prótese ou guia cirúrgico — coisas caras, que exigem material certificado e máquina de outro patamar. Este caso é o oposto, e é justamente aí que está o valor: o insumo é filamento comum e uma impressora de bancada.
O custo de reproduzir isso em outro hospital é baixo o suficiente para caber em qualquer serviço que já tenha uma impressora — e a maior parte das faculdades de medicina do país já tem. É o tipo de projeto que se copia, e vale ser copiado.
O que ainda não se sabe
Sendo honesto com o leitor sobre os limites da informação disponível: a publicação da UFMG não informa quantas crianças já foram preparadas com os modelos, não traz nenhum indicador de queda em desistência ou repetição de exame, e não diz qual impressora, qual material ou quanto custou.
Também vale ser preciso sobre o que a universidade não afirmou: em nenhum momento o texto fala em sedação ou anestesia. Preparar a criança e evitar sedação são coisas diferentes, e só a segunda seria um desfecho clínico — que exigiria estudo, não maquete. O que está declarado é o que reproduzimos acima: menos medo, menos ansiedade, menos desistência.
Procuramos a professora Críssia Fontainha para fechar esses números e detalhar o processo de fabricação. Quando houver retorno, esta matéria é atualizada.
Nota de apuração: todas as informações são da publicação oficial da Faculdade de Medicina da UFMG, de 28/08/2026, lida integralmente por esta redação — nomes de projeto, laboratório, personagens, equipamentos reproduzidos e a data de entrega dos modelos vêm de lá. As duas frases entre destaque sobre o objetivo dos protótipos são da própria universidade. Nenhum número de atendimento, redução de sedação, repetição de exame, custo, impressora ou material foi divulgado, e por isso nenhum aparece aqui, nem estimado. Esta redação não visitou o serviço nem testou os modelos. A comparação de custo com implantes e guias cirúrgicos é contextualização nossa, não afirmação da UFMG.
Fontes
Leia a seguir


