Quanto custa imprimir uma peça em 3D no Brasil: a conta real de filamento e energia — e por que a luz é a menor despesa, mas o secador ligado é a maior
Quanto custa imprimir em 3D? A conta com preços brasileiros: filamento por grama, energia por hora com dados oficiais da Bambu Lab e o custo esquecido.

Uma peça de 50 gramas em PLA, impressa em seis horas numa Bambu Lab A1, custa cerca de R$ 5,20 em material e energia no Brasil de setembro de 2026 — R$ 4,70 de filamento e R$ 0,50 de luz. A conta assusta pelo lado errado: quase todo iniciante acha que a impressora “come energia” e descobre que a luz é a menor linha da planilha, enquanto o rolo de filamento some rápido e o secador esquecido ligado custa meio rolo por mês. Este guia monta a conta linha a linha, com preços brasileiros e os números oficiais de consumo do fabricante.
A conta tem quatro linhas, não uma
| Linha | Como calcular | Peso na conta |
|---|---|---|
| Filamento | gramas da peça × preço por grama | alto — é quase tudo no uso doméstico |
| Energia | potência média × horas × tarifa | baixo — centavos por hora |
| Consumo e desgaste | bico, mesa, correia, cola | baixo, mas real |
| Falhas | percentual do que você refuga | variável, e costuma ser a surpresa |
Filamento: o preço por grama
O rolo nacional de 1 kg de PLA está entre R$ 90 e R$ 98 e o de PETG entre R$ 97 e R$ 109, segundo a leitura mais recente da nossa tabela de preços. Divida por mil e você tem o preço por grama:
| Material | Rolo de 1 kg (marcas nacionais) | Por grama |
|---|---|---|
| PLA | R$ 90 a R$ 98 | R$ 0,090 a R$ 0,098 |
| PETG | R$ 97 a R$ 109 | R$ 0,097 a R$ 0,109 |
| ABS | R$ 86 a R$ 101 | R$ 0,086 a R$ 0,101 |
O fatiador informa o peso da peça antes de imprimir — é o número que você multiplica. Vale lembrar que o descarte entra na conta: a torre de purga da impressão multicolorida pode pesar mais que a própria peça, e quem imprime com quatro cores precisa somar esse plástico.
Energia: os números oficiais, não o chute
A Bambu Lab publica na própria wiki a potência média medida das máquinas durante a impressão. Com PLA, uma A1 consome em média 95 W; a A1 mini, 80 W; a P1S e a X1 Carbon, 105 W; a H2D, 197 W. Materiais que exigem mais calor sobem a conta: a mesma A1 sobe para 200 W imprimindo ABS.
A tarifa residencial média projetada pela ANEEL para o fim de 2026 é de R$ 849 por MWh, ou R$ 0,849 por kWh; somada à bandeira amarela, em vigor desde maio e mantida em setembro, que acrescenta R$ 1,885 a cada 100 kWh, o valor de trabalho fica em torno de R$ 0,87 por kWh. A sua tarifa está impressa na conta de luz e varia por distribuidora — troque o número se quiser precisão.
| Máquina e material | Potência média (dado do fabricante) | Energia por hora |
|---|---|---|
| A1 mini, PLA | 80 W | R$ 0,07 |
| A1, PLA | 95 W | R$ 0,08 |
| P1S ou X1 Carbon, PLA | 105 W | R$ 0,09 |
| A1, ABS | 200 W | R$ 0,17 |
| H2D, PLA | 197 W | R$ 0,17 |
Uma impressão de doze horas na A1 custa menos de um real de energia. É por isso que a frase “não vale a pena pela conta de luz” não se sustenta.
O custo que ninguém soma: o secador ligado
Aqui está a inversão. A mesma wiki registra que o AMS 2 Pro consome 80 W no modo secagem e o AMS HT, 170 W. Deixar o AMS 2 Pro secando 24 horas por dia custa cerca de R$ 50 por mês — mais da metade de um rolo de PLA, todo mês, para secar filamento que talvez não estivesse úmido. O AMS HT no mesmo regime passa de R$ 100.
Em espera, o gasto é irrisório: a A1 fica entre 4 e 5,4 W desligada da impressão e conectada ao Wi-Fi, o que dá cerca de R$ 3 por mês. Não é onde economizar.
A conclusão prática: ligue a secagem quando houver sintoma — estalo no bico, superfície áspera, fio entre as peças —, e não como rotina permanente. O guia de como secar filamento úmido traz o tempo e a temperatura por material.
Consumo, desgaste e falhas
Bico, placa de mesa, correia e cola são consumíveis reais, mas de vida longa e muito variável conforme o material: quem imprime PLA troca bico raramente, quem imprime filamento com fibra de carbono troca em semanas. Em vez de inventar uma média, o método honesto é anotar o que você gastou em peças de reposição nos últimos doze meses e dividir pelas horas impressas no período.
As falhas entram do mesmo jeito. Se de cada dez impressões uma vai para o lixo, seu custo real por peça boa é 11% maior. Quem está aprendendo trabalha com margem bem pior que isso, e é justamente por isso que calibrar compensa: cada peça salva é filamento que não virou refugo.
A conta fechada: três cenários
| Cenário | Peça | Tempo | Filamento | Energia | Direto |
|---|---|---|---|---|---|
| Chaveiro | 8 g, PLA | 25 min | R$ 0,75 | R$ 0,03 | R$ 0,78 |
| Suporte de bancada | 50 g, PLA | 6 h | R$ 4,70 | R$ 0,50 | R$ 5,20 |
| Capacete de cosplay | 900 g, PETG | 40 h | R$ 92,70 | R$ 3,31 | R$ 96,01 |
Os três usam a A1 a 95 W (a potência que o fabricante publica para PLA, aplicada também ao PETG por falta de dado específico), PLA a R$ 0,094 por grama, PETG a R$ 0,103 e energia a R$ 0,87 por kWh.
E se for para vender?
Aí a conta muda de natureza, e o material deixa de ser o assunto. Para precificar, some ao custo direto:
- Depreciação da máquina. Divida o preço pago pelas horas que você espera tirar dela. Uma A1 mini de R$ 2.087 amortizada em 1.000 horas de uso adiciona R$ 2,09 por hora — cerca de duas vezes e meia o custo de energia e filamento juntos naquela peça de 50 gramas. O número de horas é uma escolha sua, e é a variável que mais mexe no resultado.
- Seu tempo. Modelar, fatiar, tirar da mesa, remover suporte, lixar e embalar. É a maior despesa de quase toda operação pequena, e a que mais some das planilhas.
- Refugo, frete e embalagem.
Para hobby, o custo direto basta e a resposta é animadora: a peça custa trocados. Para venda, quem só cobra filamento mais luz está pagando para trabalhar.
Perguntas frequentes
Imprimir em 3D aumenta muito a conta de luz?
Não. Uma impressora de mesa em PLA consome menos que uma televisão ligada. Vinte horas semanais na A1 dão cerca de R$ 6,60 por mês.
O rolo importado compensa?
Para filamento, raramente: com 60% de imposto de importação e ICMS, o rolo barato lá fora chega mais caro que o nacional. A conta está na nossa tabela de preços.
Quanto pesa a peça antes de imprimir?
O fatiador mostra na tela de pré-visualização, junto com o tempo estimado. Use sempre esse número e não o peso do modelo sólido.
Nota de apuração: as potências médias por máquina e por material são as publicadas pela própria Bambu Lab na página de consumo de energia da sua wiki, lida por esta redação em 19/9/2026 — são medições do fabricante, não nossas. Os preços de filamento vêm da leitura de lojas brasileiras registrada na nossa tabela de preços, com a data da conferência lá indicada. A tarifa de R$ 0,849 por kWh é a média residencial projetada pela ANEEL para o fim de 2026, divulgada em março, e o adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh é o da bandeira amarela vigente em setembro; a tarifa real varia por distribuidora e por faixa de consumo. Os totais das tabelas são aritmética sobre esses valores. Não medimos consumo com wattímetro próprio, e os itens de desgaste e depreciação são método de cálculo, não medição — os números de exemplo estão marcados como escolha do leitor. A foto de abertura e de Maurizio Pesce, publicada no Flickr sob licenca CC BY 2.0. Não há link comissionado nesta matéria.
Fontes
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