A gata que perdeu os dedos virou o ponto de partida: Unicentro e Cilla Tech Park imprimem em 3D próteses para nove animais de Guarapuava
Unicentro e Cilla Tech Park, em Guarapuava (PR), usam impressão 3D para produzir dez próteses e órteses veterinárias para nove animais. Conheça o projeto.

A Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e o Cilla Tech Park, em Guarapuava (PR), estão produzindo em impressão 3D dez órteses e próteses veterinárias sob medida para nove animais da região com limitações ortopédicas. O projeto nasceu de uma gata chamada Matilda, que chegou à Clínica Escola Veterinária da universidade com dois meses de vida e um traumatismo na pata traseira que exigiu a amputação dos dedos — e acabou adotada pelo estudante que teve a ideia.
É o tipo de notícia que costuma chegar pronta, com o animal correndo feliz no vídeo. Aqui ela chega no meio: os dispositivos foram desenvolvidos, estão em fase de ajuste, e o que existe de concreto é um método, uma equipe e uma lista de pacientes.
O que o projeto de Guarapuava faz
A pesquisa é coordenada pela professora Liane Ziliotto, do curso de Medicina Veterinária da Unicentro — docente com atuação em clínica cirúrgica e oncologia de pequenos animais, segundo a página institucional da universidade —, e prevê dez dispositivos para nove animais da região que, como Matilda, perderam mobilidade por lesão ortopédica.
A fabricação fica com o Espaço Maker do Cilla Tech Park, hub de inovação instalado no bairro planejado Cidade dos Lagos. O coordenador do espaço, Felipe Gorgo Kiçula, resume o cronograma no release: cerca de três meses para desenvolver as próteses e uns 30 dias para os ajustes finais. “É muito legal vermos o projeto final e como ele é aplicado na prática, melhorando a qualidade de vida dos bichinhos”, diz ele.
O contexto que o próprio projeto cita, com dados da Abinpet: o Brasil tem cerca de 160 milhões de pets, a terceira maior população do mundo — e órtese e prótese veterinária ainda são artigo raro e caro no país. É a lacuna que a impressão 3D, com arquivo sob medida e material de bancada, tem chance real de fechar.
Como a ideia nasceu
O ponto de partida foi um aluno de iniciação científica, Arthur Buaski, graduando em Medicina Veterinária. Ele conheceu o trabalho de um professor da UFPR que usava impressão 3D para planejamento cirúrgico e queria levar a tecnologia para órteses e próteses de animais. “Ele me deu a ideia inicial e, pelo fato de eu já ter a Matilda como uma possível participante, eu me animei. A partir daí fui atrás, planejei o projeto com a minha orientadora e, posteriormente, com o Cilla”, conta.
A parte da história que não cabe em planilha: o acolhimento de Matilda, que seria de cinco meses durante o tratamento, virou adoção. “Ela é minha primeira gata. Me acostumei com ela em casa e, quando a tutora disse que não queria mais ficar com a Matilda, decidi adotá-la.”
Para a professora Ziliotto, o hub foi o que tirou a pesquisa do papel: “Quando conhecemos o Cilla, encontramos um parceiro que tornou possível transformar a pesquisa em uma possibilidade terapêutica real aos nossos pacientes.”
O que o release não diz — e nós não vamos inventar
O material de divulgação não informa qual impressora, qual material nem quanto custa cada dispositivo, e não diz se os animais já estão usando as peças ou ainda esperam os ajustes. Também não detalha o processo — escaneamento, modelagem, teste de encaixe —, que em projetos semelhantes de outras universidades costuma partir de um molde da pata e terminar em PLA, PETG ou TPU. Não sabemos se é o caso aqui.
A foto que acompanha esta matéria é a mesma distribuída pela assessoria do projeto e mostra um cão com prótese na pata dianteira; o release não identifica o animal nem confirma que a peça saiu do Espaço Maker. Matilda, a gata, aparece em foto do arquivo pessoal do estudante que não reproduzimos.
Procuramos a Unicentro e o Cilla Tech Park para fechar material, custo por peça, processo de fabricação e o estágio de cada paciente. Quando houver retorno, esta matéria é atualizada.
Nota de apuração: todas as informações, nomes, números e as três citações vêm do release distribuído pela JN Assessoria de Imprensa em 29/08/2026 (publicado pelo Portal Pet News) e da versão apurada pelo Âncora 1 em 31/08, lidos integralmente por esta redação; a área de atuação da professora Liane Ziliotto foi conferida na página de docentes da Unicentro. Nenhum dado de custo, material, equipamento ou resultado clínico foi divulgado, e por isso nenhum aparece aqui, nem estimado. A referência a molde e materiais de outros projetos é contextualização nossa, não afirmação da Unicentro. Esta redação não visitou a clínica nem o Espaço Maker. A foto é de divulgação do projeto.
Fontes
Leia a seguir


