Um veleiro-robô de 2 metros, impresso em PLA numa Prusa Core One L, quer cruzar 970 km de Atlântico sozinho — sem tripulação e sem controle remoto
SAILONE: veleiro autônomo de 2 m impresso em 17 seções de PLA numa Prusa Core One L, colado com epóxi e fibra, quer ir de Lisboa à Madeira sem controle remoto.

Dois estudantes de Setúbal, em Portugal, construíram um veleiro autônomo de 2 metros — o SAILONE — cujo casco foi impresso em 17 seções de PLA numa Prusa Core One L, coladas com resina epóxi e reforçadas com fibra de vidro, para navegar de Lisboa até Funchal, na Ilha da Madeira: 970 km sem tripulação e sem nenhum comando remoto. A largada, prevista para 15 de agosto, atrasou; o rastreador do projeto mostrava dados simulados no início de setembro, e as páginas mais recentes do diário de construção já falam em “travessia do Atlântico 2027”.
Para quem imprime, o projeto de Ivan Kruchinin e Sophie Brookes é um estudo de caso raro: um casco de barco de verdade, com 55 kg, saído de uma impressora de bancada — e o método é reproduzível.
Como se imprime um barco numa impressora de mesa
A Core One L é a versão grande da Core One da Prusa, e ainda assim não cabe um casco de 2 metros dentro dela. A solução foi a de quem imprime cosplay ou móvel: fatiar o casco em 17 seções, imprimir uma a uma em PLA com 3 mm de parede, alinhar e colar com epóxi, e depois laminar com fibra de vidro por fora para dar rigidez e estanqueidade. PLA não é material naval — amolece no sol e absorve água com o tempo —, e é justamente a laminação que faz o casco impresso virar casco de barco.
Sobre a estrutura, o resto é robótica de garagem em nível alto:
| Item | Especificação |
|---|---|
| Comprimento / largura | 2 m / 60 cm |
| Peso | ~55 kg |
| Casco | 17 seções em PLA (3 mm), epóxi + fibra de vidro |
| Impressora | Prusa Core One L |
| Propulsão | vela rígida (asa), sem tecido |
| Energia | painéis solares |
| Cérebro | Raspberry Pi + ESP32 |
| Segurança | receptor AIS para desviar de navios |
| Velocidade de cruzeiro | 1,5 nó (2,8 km/h) |
A velocidade dá a medida da aventura: a 2,8 km/h, os 970 km até a Madeira levam 14 a 20 dias — sozinho, interpretando o vento e decidindo a rota. No caminho, o barco coleta temperatura, vento, UV e clorofila, entre outros dados.
O que ainda não aconteceu
O barco não partiu. A data de 15 de agosto passou, o rastreador público exibia simulação em 3 de setembro e o próprio projeto já se refere à travessia como “2027” em páginas recentes. Não há orçamento divulgado, nem instituição de ensino vinculada no material que lemos, nem explicação pública para o adiamento. Quando o SAILONE zarpar de verdade, o rastreador em sailone.org é o lugar para acompanhar — e esta matéria será atualizada.
Nota de apuração: nomes, cidade, dimensões, peso, materiais, número de seções, impressora, eletrônica, rota, prazos e o estado do rastreador vêm da reportagem da NSC Total de 5/9/2026 e do site do projeto (sailone.org), lidos por esta redação; a observação sobre PLA e laminação é contextualização técnica nossa. Não há orçamento nem vínculo institucional informados. A foto é do próprio projeto, publicada em seu site.
Fontes
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